Obstrução de Junção Uretero Pélvica (Estenose de JUP)

Obstrução de Junção Uretero Pélvica (Estenose de JUP)

Vamos falar sobre Obstrução de Junção Uretero Pélvica (ou estenose de JUP)

Primeiro, o que é a JUP?

Bom, A JUP é a área anatômica, o ponto de junção (ou da transição) da pelve ao ureter. O ureter é o tubo que drena a urina lá do rim até a bexiga.

A obstrução da junção uretero pélvica (também chamada de estenose de JUP) é a principal causa patológica das dilatações descobertas antes mesmo do nascimento (ou seja, das dilatações antenatais, já descobertas em ultrassom durante a gravidez) e tem uma incidência de aproximadamente 1: 1.500 nascimentos.

Olha que interessante a distribuição das causas de dilatações do rim suspeitadas durante a gestação.

EtiologiaIncidência (%)
Transiente / fisiológica50-70
Obstrução ureter pélvica (estenose JUP)10-30
Refluxo vesico ureteral (RVU)10-40
Obstrução uretrovesical/mega ureter5-15
Rim multicistico displastico (MCDK)2-5
Válvula de uretra posterior1-5
Ureterocele, ureter ectópico, sistema duplo, Prune belly, doença renal policística, atresia uretralPouco comum

Certo, então, tivemos a suspeita da dilatação do rim antes do nascimento… como vamos investigar então?!

Quando a dilatação é apenas de um lado em ambos os gêneros, ou bilateral nas meninas, calma!! Vamos investigar depois da alta na maternidade, como no gráfico abaixo!  Para as crianças com diagnósticos pré-natais de dilatações do rim, seguimos o seguinte protocolo, que é uma tradução das condutas das sociedades americana e Europeia de Urologia Pediátrica: https://uroweb.org/wp-content/uploads/EAU-Guidelines-on-Paediatric-Urology-2021-large-text.pdf

Agora, se há dilatação bilateral antes de nascer no sexo masculino a investigação para excluir válvulas de uretra posterior tem que acontecer na maternidade!

Parece que é uma dilatação só lá, acima da pelve mesmo. Mas o que isso significa?

Significa que se essa obstrução do ureter próximo na sua saída da pelve renal,  pode  levar a um atraso na drenagem da urina , o que causa dilatação do sistema coletor (tanto da pelve como da parte interna do rim)   e pode levar a alterações da formação do rim, com surgimento de fibrose e consequente diminuição da função desse rim.  

Atenção!!!! Nem toda dilatação é uma obstrução!

  • Uma obstrução é definida como restrição ao fluxo urinário que, se não tratado pode levar a deterioração renal. OU seja… pode prejudicar o rim!
Imagem 1

Imagem 1 – Ela pode ser por um estreitamento intrínseco do ureter por interrupção do desenvolvimento das fibras musculares (sendo essa a causa mais comum das obstruções antenatais, nos recém-nascidos e nas crianças).

Imagem 2

Imagem 2 – Ou pela presença de um vaso acessório (extrínseco) ao polo renal inferior que leva a uma volta do ureter por sobre vaso sanguíneo.  Esse é mais comumente encontrado em Crianças mais velhas e adolescentes.

Diagnóstico

Em urologia pediátrica, o Ultrassom é nossa ferramenta mais importante de investigação e também de seguimento.

Pode acontecer por alterações em ultrassom de rotina durante a gravidez (diagnóstico antenatal) ou quando há a realização de exame de imagem, geralmente um ultrassom nas investigações de dores abdominais, infecções urinarias em crianças ou imagens solicitados por outras causas (achados acidentais).
Alguns sintomas podem levar a suspeita de alterações renais como por exemplo dor abdominal intermitente, sangue na urina ou presença de dor lombar tipo cólica, náusea a vômitos após ingesta aumentadas de líquidos (sintomas conhecidos como Dietl crisis).

Todo mundo precisa de cirurgia?! Como se faz o seguimento?

Importante dizer aqui que nem toda obstrução da junção uretero pélvica (JUP) é cirúrgica.  Apenas 1/3 das crianças necessitará de intervenção cirúrgica

E quais são as crianças com possível indicação de cirurgia?

  • Alteração na função renal percentual a cintilografia renal estática – DMSA – (< 40%), ou perda de mais de 10 % da função renal em exames seguidos, acompanhado de baixa drenagem ao renograma com diurético (Dtpa ou Mag3), 
  • Aumento progressivo da dilatação do rim (seguimos pelo do diâmetro antero posterior da pelve) e afilamento do parênquima do rim
  • hidronefroses grau 3 a 4 pela SFU (moderada e acentuada)
  • Infecções urinarias de repetição
  • Sintomas recorrentes

Para quem precisar de cirurgia:

A cirurgia chama-se Pieloplastia e pode ser feita por laparoscopia/ robótica ou via convencional ou aberta.
Independente da via de acesso, durante a cirurgia a parte obstruída será removida e ainda poderá será locado um stent ou cateter que se chama duplo J.

Esse cateter permanecerá por 4 a 6 semanas após a cirurgia e será retirado por cistoscopia (com uma câmera pelo canal do xixi).

O seguimento se dá principalmente por imagens de ultrassom seguido … e se dará por um bom tempo e a dilatação do rim poderá permanecer para sempre, como uma dilatação residual!

Lembre-se: Nosso objetivo é sempre preservar a função do rim!

Ficou com duvidas!?

Não tenha vergonha de perguntar!

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